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Goiânia MERCADO IMPBILIÁRIO

Desaceleração no Índice de Variação de Aluguéis Residenciais

O índice utiliza dados como os valores dos contratos novos de alugueis e os reajustes de contratos existentes, além das características de cada imóvel como base do cálculo

13/01/2022 22h54
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Por: Lorena Lázaro
Desaceleração no Índice de Variação de Aluguéis Residenciais

A pandemia continua influenciando ativamente a economia brasileira, principalmente o mercado imobiliário. É o que se vê no Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar) divulgado nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre). Em dezembro, o Ivar subiu 0,66%, uma desaceleração em relação ao 0,79% registrado em novembro. Segundo o advogado Diego Amaral, especialista em Direito Imobiliário, o mercado é apenas relativo à sociedade.

 

O resultado do Ivar, divulgado nesta terça-feira pela FGV/Ibre, mostra que o acumulado de 12 meses ficou em -0,61% em dezembro, ante a taxa de 0,70% apurada em novembro. Diferentemente do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), utilizado no reajuste da maior parte dos contratos vigentes, o novo indicador é calculado com base em dados coletados de contratos assinados por inquilinos e locatários de quatro capitais (Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte), obtidos junto a empresas administradoras de imóveis.

 

O advogado Diego Amaral explica que o novo indicador usado para definir o índice capta nuances que os outros não refletem. “O objetivo é medir a evolução dos preços e preencher uma lacuna nas estatísticas nacionais nesse nicho. O índice utiliza valores negociados dos aluguéis em vez de dados de anúncios como base de cálculo. Fazem parte dados como os valores dos contratos novos e os reajustes de contratos existentes, além das características de cada imóvel”, destaca o advogado.

 

Paulo Picchetti, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) e responsável pela metodologia do Ivar, diz que o método adotado permite a “mensuração robusta da variação média dos aluguéis ao longo do tempo” e reflete melhor o cenário de oferta e demanda do mercado de locação de imóveis residenciais. O instituto informa que a partir deste mês, os dados do Ivar serão incorporados ao subitem aluguel residenciais das diferentes versões do Índice de Preços ao Consumidor (IPC).

 

Diego Amaral analisa que esse quadro frágil da economia é um resultado da alta do desemprego e da renda baixa. “Na prática houve de certa forma uma sensibilidade por parte dos senhorios em relação à crise na economia, causada pelo avanço do Covid-19. Não havia condições de pagar reajuste de aluguel se as famílias tiveram perda de emprego", pontuou ele. No entendimento do advogado, houve muita negociação entre inquilinos e proprietários durante a pandemia, contribuindo para o recuo da taxa anual do índice.

 

Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar)

A FGV passa a divulgar a partir de hoje o novo indicador que calcula a inflação do aluguel. O Ivar, primeiro indicador com esse perfil da fundação, mensura evolução de preços de contratos de aluguéis em quatro capitais, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, e conta com série histórica iniciada em 2018, no caso de São Paulo; e a partir de 2019 para demais três capitais. Com os dados originados dessas cidades, a fundação fez a média ponderada para elaborar a taxa total do indicador.

 

O Ivar abrange, em sua coleta, preços de contrato de aluguel de longo prazo efetivamente contratados, e será anunciado mensalmente às 8h pelo portal da fundação. A primeira edição a ser divulgada do indicador será referente a dezembro de 2021. A ideia por trás da montagem do indicador, segundo Paulo Picchetti, foi elaborar um índice que mensurasse, de forma mais precisa, a evolução dos aluguéis nas principais capitais do País. Não está descartada a ideia de acrescentar um número maior de capitais, no cálculo do indicador, futuramente.

 

O advogado comenta que há outros indicadores que medem a trajetória de preço de aluguel no País, mas que as fontes de informação são a grande novidade do indicador. "Para o Ivar, serão coletados mensalmente preços efetivamente contratados de aluguel de cerca de dez mil contratos de longa temporada. Uma das origens dos dados, por exemplo, foi a imobiliária digital Quinto Andar", explicou Diego. No site da FGV, a fundação disponibilizou essa manhã nota metodológica com maior detalhamento ao mercado de como o indicador é calculado.

 

 

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